Feliciano e a hipocrisia da pauta conservadora que se abateu sobre o país
- 8 de ago. de 2016
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Pipoca desde a semana passada uma história que deveria estar recebendo um destaque maior da imprensa, dado o seu potencial de escândalo. O deputado e pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), um dos paladinos da onda conservadora que vem se alastrando pelo país, é acusado de tentativa de estupro e agressão pela jornalista Patrícia Lelis. A história é recheada de componentes graves. Na sexta-feira passada (5), o chefe de gabinete de Feliciano, Talma Bauer, chegou a ser preso em São Paulo, acusado de ter mantido Patrícia em cárcere privado.
O caso começou a ganhar repercussão pelas redes sociais e pelo blog Esplanada, do jornalista Leandro Mazzini. Patrícia é uma jovem jornalista que vinha se destacando ao gravar vídeos relacionados à pauta conservadora, como militante da juventude do PSC. Foi aluna de outro veterano jornalista de Brasília, Hugo Studart. Ele teria sido o primeiro a quem Patrícia procurou para contar sua história.
Segundo ela, Feliciano a teria chamado em seu apartamento de deputado em Brasília para uma reunião do PSC jovem. Segundo seu relato, lá chegando, só havia ela e Feliciano para a reunião. Ele, então, teria proposto que ela se tornasse sua amante, em troca de um emprego com salário de R$ 15 mil. Ainda segundo seu relato, ela teria se recusado, o que teria levado Feliciano a agredi-la, com um soco na boca e um chute. Em seguida a Studart, Patrícia procurou também Leandro Mazzini.
Depois que o assunto veio à tona, apareceram dois vídeos nos quais Patrícia negava ter sido vítima de Feliciano. Um primeiro vídeo, muito estranho, no banco de trás de um automóvel. E um segundo em uma praça de alguma cidade.
A partir daí, a semana ficou numa guerra de versões. Até a reviravolta de sexta-feira, quando Talma Bauer foi preso em São Paulo, acusado de ter mantido Patrícia Lelis em cárcere privado. Aí, a acusação era que o chefe de gabinete de Feliciano teria prendido Patrícia e a obrigado a gravar os dois vídeos desmentindo a história. Patrícia prestou queixa na sexta-feira no 3º Distrito Policial, em Campos Elísios, São Paulo.
Na segunda-feira, Feliciano gravou também um vídeo ao lado de sua mulher, em que nega a acusação de estupro. Nas redes sociais, em endereços ligados ao PSC e a grupos evangélicos, surgem acusações contra Patrícia, na qual ela é que é apontada como alguém que teria chantageado Feliciano. O caso está na pauta de uma reunião no PSC marcada para esta terça-feira (9).
Diante das idas e vindas ocorridas durante a semana passada e da gravidade da acusação, o caso precisa, é claro, de rigorosa apuração. Mas, seja qual for a versão verdadeira – a de Patrícia ou a de Feliciano –, a verdade é que a história expõe o tamanho da hipocrisia e das contradições da atual pauta conservadora, que se concentra, puxada por políticos ligados a grupos religiosos, a questões ligadas ao comportamento. É muito mais uma pauta de direita relacionada à moral que a assuntos econômicos.
Porque, de um lado e de outro, é que há são personagens criados para serem ícones dessa pauta conservadora. Seja o pastor já consagrado – tido como possível candidato a vice-presidente de uma chapa de direita capitaneada por Jair Bolsonaro (PP-RJ) –, seja sua pupila, treinada para falar, com seus vídeos no Youtube, para o eleitorado mais jovem.
Em torno do caso, os pecados que ambos dizem condenar de forma veemente. Feliciano chegou a propor, como deputado, que crimes de estupro fossem punidos com castração química.
Se a versão verdadeira for a de Patrícia – e ela apresentou provas nesse sentido –, o caso ganha contornos muito mais graves. Misoginia, injustificada violência contra a mulher. Estupro. Crime, enfim. E o escancaramento da distância que há entre a pregação radical de alguns de um comportamento dentro do que supõem ser os ensinamentos da Bíblia e suas verdadeiras atitudes. Afinal, o primeiro a alertar sobre a falsidade dos arautos da moralidade foi o próprio Jesus Cristo, que sugeriu que aquele que não tivesse pecado atirasse a primeira pedra em Maria Madalena.






















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